DISCUSSÃO TEÓRICA

Deparar-se com alunos de 2° ano do Ensino Médio que não gostam de ler o que a escola solicita e desconhecem os cânones da literatura, a nível nacional (Machado de Assis, Lígia Fagundes Telles, Guimarães Rosa, Jorge Amado etc.) e internacional (Ítalo Calvino, Edgar Allan Poe etc.), é, no mínimo, preocupante, visto que, ao ingressarem nas Universidades, essas instituições, provavelmente, não terão a preocupação de formar leitores. O desinteresse pela leitura e o sentimento de repúdio aos livros clássicos parece ter se tornado comum na vida de jovens aprendizes. Tal constatação foi possível quando se verificaram os dados do AutoBib e a reação de muitos alunos do Colégio com o convite para participar dos encontros. Por que os estudantes aparentam ter tanta aversão à leitura dos cânones? A causa deste problema encontra-se nos primeiros contatos estabelecidos entre leitor e leitura. Tais contatos definem o futuro dessa relação, podendo gerar dois sentimentos: satisfação ou aversão. Infelizmente, tem-se observado que o segundo impera na maioria dos alunos. Por qual motivo essas experiências com a leitura são tão traumatizantes? Será que a culpa está nos leitores ou na literatura? Certamente que toda a responsabilidade pelo estado de decadência da leitura no contexto jovem centra-se nas obras propostas pela escola.

A função da leitura pode ser dividida em três caracteres: lúdico, formativo e informativo. Eles devem ser trabalhados nesta ordem, para que o indivíduo, inicialmente, goste de ler, posteriormente, trabalhe a sua visão crítica, para que enfim, receba as informações e direcione-as de forma empoderadora, gerando assim conhecimento. Há de se entender que os três caracteres são passíveis de junção. A questão é que, quase sempre, a literatura incentivada pelo colégio é a formativa (clássicos) e visa, quase que exclusivamente, ao vestibular. Os livros clássicos detêm uma série de fatores que não estão em harmonia com o contexto biopsicosocial do aluno, ou seja, o vocabulário, situações-problema, comportamento das personagens, ambientações etc. não são elementos próprios do cotidiano do leitor, gerando um impacto de realidades que tem por conseqüência a formação de uma opinião negativa sobre o ato de ler. Um dos fatores que influenciam na não valorização da leitura é a concorrência com outras atividades, a exemplo de filmes, brinquedos, jogos de diferentes consoles (videogame e computador), internet e músicas diversas. Não que essas formas de entretenimento sejam prejudiciais ao jovem, são necessárias, até por que, se for levado em consideração um conceito mais amplo, essas práticas também são leituras, mas acabam por tomar demasiadamente o tempo que poderia ser dedicado à leitura da palavra. O certo seria não impor o objeto da leitura, mas sugerir, direcioná-lo deixando o aluno à vontade para escolher. O importante é que ele leia a seu gosto. Dos sete paradidáticos propostos à quinta (5°) série do Colégio Christus Dionísio Torres, no ano de 2008, quatro são adaptações de clássicos estrangeiros. As escolas param para escutar o aluno de quinta ou sexta série? O presente projeto não despreza o valor dos clássicos, porém estes estão sendo trabalhados de forma a condicionar uma imagem errônea do que é a literatura. Por que razão a escola persiste no erro de exigir a leitura dos clássicos, se esta ao invés de incitar o gosto pela leitura acaba causando repulsa nos leitores? Por que o colégio não pode propiciar ao aluno uma leitura prazerosa, respeitando a individualidade de cada um, que o motive a ler cada vez mais?

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