RESUMO

março 26, 2009

A atual situação da leitura no Ensino Médio é muito preocupante para toda a comunidade dos profissionais da educação, pois eles notam, de acordo com o que foi pesquisado, que os alunos não vêm demonstrando interesse por essa prática. O entendimento do que seja leitura vem sendo distorcido, associado a algo tediante e forçado, conforme se percebeu em dados estatísticos de empréstimos de livros na biblioteca do Colégio Christus Dionísio Torres. O presente estudo nasce da inquietação de compreender porque um número significativo de estudantes afirma apresentar aversão à leitura dos clássicos. Desse modo, visa-se, nesta investigação, à formação da Comunidade de Jovens Leitores com alunos de 9° ano do Ensino Fundamental, tendo por objetivo utilizar a literatura lúdica como referencial para a construção do hábito da leitura. Escolheu-se a abordagem qualitativa na orientação metodológica deste estudo, utilizando as estratégias da pesquisa-ação, oriundas da Psicologia Social. Realizaram-se quatro encontros com o grupo de jovens, constituindo o surgimento da comunidade. A leitura possui três caracteres: lúdico, formativo e informativo. Trabalhou-se nessa ordem para que os jovens, inicialmente, gostem de ler; posteriormente, saibam elaborar visões críticas bem fundamentadas e; finalmente, recebam as informações e saibam como utilizá-las de forma produtiva e consciente. A partir do levantamento bibliográfico e da experiência com a formação do grupo, verificou-se que um trabalho de constituição de uma comunidade de jovens leitores é viável, haja vista a demanda dos participantes e que a leitura é um ato que pode ser trabalhado de modo criativo e inovador.

PALAVRAS-CHAVE: LEITURA – COMUNIDADE – JOVENS

AGRADECIMENTOS

março 26, 2009

À minha família que me apoiou na realização do projeto;

Ao Colégio Christus, particularmente ao setor pedagógico, por ter concedido todo suporte para o desenvolvimento do projeto e acreditado nas minhas idéias;

À Jack e ao Márcio por toda paciência e atenção que tiveram comigo;

Ao professor Nílson Rodrigues pela assistência, incentivo e atenção para com minha pessoa e as idéias do projeto;

Ao Colégio Oliveira Lima por ter me propiciado uma educação construtivista.

INTRODUÇÃO

março 26, 2009

A atual situação da leitura no Ensino Médio é muito preocupante para toda a comunidade dos profissionais da educação, pois eles notam, de acordo com o que foi pesquisado, que os alunos não vêm demonstrando interesse por essa prática. O entendimento do que seja leitura vem sendo distorcido, associado a algo tedioso e forçado, conforme se percebeu em dados estatísticos de empréstimos de livros na biblioteca do Colégio Christus Dionísio Torres. O presente estudo nasce da inquietação de compreender porque um número significativo de estudantes afirma apresentar aversão à leitura dos clássicos. Desse modo, visa-se, nesta investigação, à formação da Comunidade de Jovens Leitores com alunos de 9° ano do Ensino Fundamental, tendo por objetivo utilizar a literatura lúdica como referencial para a construção do hábito da leitura. Escolheu-se a abordagem qualitativa na orientação metodológica deste estudo, utilizando as estratégias da pesquisa-ação, oriunda da Psicologia Social. Realizaram-se quatro encontros com o grupo de jovens, constituindo assim o surgimento da comunidade.

A leitura possui três caracteres: lúdico, formativo e informativo. Trabalhou-se nessa ordem para que os jovens, inicialmente, gostem de ler; posteriormente, saibam elaborar visões críticas bem fundamentadas e; finalmente, recebam as informações e saibam como utilizá-las de forma produtiva e consciente.

A partir do levantamento bibliográfico e da experiência com a formação do grupo, verificou-se que um trabalho de constituição de uma comunidade de jovens leitores é viável, haja vista a demanda dos participantes e que a leitura é um ato que pode ser trabalhado de modo criativo e inovador.

JUSTIFICATIVA

março 26, 2009

A leitura dos clássicos é um hábito saudável que vem perdendo adeptos nas escolas, no nível fundamental e médio, face à literatura não voltada para os alunos e à concorrência da leitura com outras atividades menos empoderadoras. Essa leitura permeia todo o conhecimento e deveria constituir uma atividade regular na vida de muitos adolescentes. A CJL visa ao resgate desse hábito.

PROBLEMA

março 26, 2009

Muitos jovens não têm dado o devido valor para o hábito da leitura dos clássicos, gerando assim, diversas conseqüências: a dificuldade de atenção nas aulas, a incapacidade de interpretar corretamente muitos textos, vocabulário limitado etc.

HIPÓTESE

março 26, 2009

Espera-se que a CJL torne-se mais coesa a cada encontro, que seus integrantes tomem gosto pelos mais variados estilos de leitura, tornem-se leitores proficientes e continuem a promover os encontros mesmo após a conclusão do presente projeto.

OBJETIVOS

março 26, 2009

Objetivo Geral

Formar uma comunidade de leitores, englobando os que já apreciam a prática da leitura e os futuros leitores.

Objetivos Específicos

· Incentivar o gosto pela leitura dos clássicos;

· Incentivar a participação dos alunos em atividades culturais extracurriculares, como instrumento de subjetivação;

· Propiciar a interação entre os participantes da CJL, afim de que haja troca de experiências, opiniões, leituras de mundo e formação da visão crítica de cada sujeito.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

março 26, 2009

A base teórica do presente estudo foi feita a partir do livro “LER… Caminhos de trans-form-ação” (CAVALCANTE JR, 2005a), que relata as diversas experiências de professores e alunos com uma metodologia psicoeducativa denominada de Método (Con)texto de Letramentos Múltiplos, além da leitura de artigos do Prof. Cavalcante Jr, Ph.D.

As idéias que constituem o Método (Con)texto apresentam forte embasamento no pensamento de Paulo Freire (CAVALCANTE JR, 2005a). Alguns autores analisaram o seguinte postulado de Freire, e chegaram a algumas conclusões: “a leitura do mundo precede a leitura da palavra”. Sylvia Cavalcante (CAVALCANTE, 2005) afirma que a leitura de mundo, para o Método (Con)texto, é o momento em que o aluno tem direito à palavra numa sala de aula e, a partir dessas observações, a dinâmica de ensino será estruturada de modo a tornar o aprendizado um processo contínuo, ou seja, levar-se-á em consideração a opinião do estudante e as aulas serão planejadas de acordo com a sua visão de mundo. Luciene de Paula fala da leitura de mundo é como a bagagem de conhecimento que o aluno carrega e utiliza como referência para a produção escrita e o ato da leitura, daí a idéia de que a escrita vai muito além da mera codificação de símbolos (DE PAULA,2005). Outros autores postularam a respeito da teoria de Freire tendo em vista o MC e a atual situação da educação. Kátia D’Aguiar fala da educação libertadora proposta por Freire ao colocar o aprendente na condição de sujeito-aprendiz, onde este participará de um processo de conscientização que leva em conta o contexto de vivências do sujeito, a leitura de mundo dele (D’AGUIAR, 2005). Maria de Araújo diz que a educação tradicional bloqueia a liberdade de criação por parte do aprendente, tal educação, na visão de Freire, é intitulada educação repressora em contraste com a libertadora, que proporciona o espaço necessário ao interesse, ao compartilhamento de vivências e à busca do aluno pelo conhecimento (ARAUJO, 2005).

A respeito da metodologia tradicional de ensino, Araújo ainda menciona: “A escolha de um método, muitas vezes, mecânico e instrumentalizado, voltado para a aprendizagem puramente intelectiva, dissociada dos aspectos emocionais, trata a aprendizagem como se não fosse uma atividade humana”. André de Sousa, em seu artigo, critica, com base no livro Fomos maus alunos de Rubem Alves e Gilberto Dimenstein, o sistema educacional que trata o aluno como um computador enchendo-o de “pacotinhos de informação” e não exercita o interesse do aluno pelo conhecimento (SOUSA, 2005). Sousa utiliza a metáfora do queijo, da faca e da fome: os estudantes têm a faca e o queijo nas mãos, porém de nada adianta se estes não possuem “fome de conhecimento”, a fome de letramento (CAVALCANTE JR, 2005b), por que, se eles têm essa fome, certamente irão atrás do queijo e da faca. Sousa também critica o caráter descartável do conhecimento passado pelas escolas (SOUSA, 2005).

Interessante analisar a história do conhecimento e ver que a verdade humana está em constante construção e que o conceito de educação também pode ser renovado. João Rodrigues fala sobre os quatro abalos na história da ciência: o de Copérnico, com a teoria heliocêntrica; o de Darwin, com a teoria da seleção natural; o de Freud, com a elaboração da psicanálise e a descoberta do inconsciente; e de Einstein, com a teoria da relatividade. Rodrigues afirma: “Nenhum saber ou conhecimento encontra-se cristalizado, em uma situação única, isolada ou estanque, nenhum paradigma é imutável. […] nenhuma verdade pode ser percebida como absoluta ou inquestionável, tudo se encontra em um processo constante de vir a ser”, ou seja, todo conhecimento é passível de questionamento e alteração (RODRIGUES, 2005).

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METODOLOGIA

março 26, 2009

Foi eleita a abordagem qualitativa para a orientação conceitual da investigação, iniciando com a leitura de textos relacionados ao objetivo da pesquisa e trabalhando com os pressupostos e técnicas da pesquisa-ação, oriunda da Psicologia Social, ou seja, a presente pesquisa visa tanto à geração de dados como também uma possibilidade de modificação social, que no caso deste trabalho está associada à proposta de desenvolvimento de significativos jovens leitores. Para a coleta e registro de dados, foram realizados quatro encontros com o grupo de jovens integrantes da comunidade de leitores. Além disso, foram coletadas informações na biblioteca do Colégio Christus Dionísio Torres com o programa digital AutoBib, que fornece o registro das locações dos livros do acervo.

Toda a literatura lida na Comunidade é previamente selecionada, tendo como principal critério a demanda do grupo.

Os encontros foram realizados quinzenalmente na sala de F.E.C (Filosofia Ética Cristã), um espaço bem iluminado, ventilado, repleto de almofadas e propício para atividades que não se enquadram na estética clássica de ensino, ou seja, um lugar para a prática das chamadas “Metodologias Ativas”. Os integrantes são alunos do 9° ano do Ensino Fundamental do colégio Christus Dionísio Torres. Cada encontro teve a duração média de 1 hora.

A dinâmica dos encontros é organizada em quatro momentos. No primeiro momento, são apresentados os autores dos contos que serão lidos, comenta-se brevemente sobre a vida de cada um, sua importância para a literatura e o porquê dele ter sido selecionado. Em um segundo instante, a leitura é feita pelos integrantes. O terceiro momento é quando se realiza o multiálogo. A etimologia da palavra diálogo é “di- dois” e “logos- inteligência, estudo, palavra”, ou seja, são duas inteligências (duas pessoas) discutindo para chegar a uma determinada conclusão. O prefixo “multi- muitos” remete a todas as pessoas presentes na conversa, ou seja, são muitas pessoas discutindo para chegar a uma determinada conclusão (CEGALLA, 2005). O multiálogo não segue um esquema inflexível de perguntas objetivas, é, em sua essência, uma conversa sobre os contos lidos. Nele, o mentor da comunidade lança mão de uma série de questionamentos de natureza subjetiva para que o texto seja trabalhado de maneira criativa e livre pensante, os integrantes desenvolvem suas próprias respostas de acordo com suas leituras de mundo. O quarto momento é a entrega de um conto para ser lido em casa. Conforme a demanda do grupo, esse texto é trabalhado nos encontros ou não.

RESULTADOS

março 26, 2009

Realizaram-se quatro encontros da Comunidade de Jovens Leitores. Apresentam-se, na categoria “Relatório de Encontros”, os relatórios de resultado de cada um deles.